À prova da desistência
Disse-me o Carlos, há dias: "Depois do Natal, não conseguirei ir dar catequese todas as semanas. As frequências estão a apertar e o tempo não dá para tudo."
Disse-me a D.Ana: "Já não há paciência! Os miúdos estão impossíveis. Eu bem tento aquelas coisas que aprendemos na formação... mas não dá. Vou voltar a ler o catecismo. Quem aguentar, aguentou e faz a festa no fim do ano."
Podia continuar a recordar tantos casos de catequistas com dificuldades em ser fiéis ao seu chamamento. Mas prefiro partilhar convosco algumas pistas para evitar cair em desistências ou em desânimos. Pelo menos comigo e com alguns amigos têm sido úteis.
1. Dar catequese é um caminho; não é um passo.
Os nossos passos estão cheios de precalços: incompreensão dos pais, atitudes prepotentes dos párocos, intriguice dos colegas catequistas, crianças desinteressadas, dúvidas de fé... Só de olhar para cada uma dessas possibilidades, ficamos desanimados. Por isso é importante não perder de vista o horizonte global. Não nos perdemos no detalhe e saber apreciar o todo da pintura.
Tropeçaste numa pedra? Não vale pena desanimar! Interioriza que o caminho é longo. E belo. E que a meta vale a pena. Aprende a relativizar as coisas pequenas em função das coisas grandes. Olha para os pequenos passos que dás (fáceis ou difíceis) com o olhar de Jesus.
Vais ver que surpresas te podem acontecer!
2. Lembra-te das razões porque és catequista.
Por teres sentido um apelo a evangelizar?
Por partilhares com os outros uma experiência que encheu de sentido a tua vida?
Porque não aceitas estar passivamente em Igreja?
Pelo gosto de educar?
Eu, pessoalmente, recordo-me das minhas solidõies e angústias de adolescente. E da irmã Lucília que era minha catequistas e da sua paciência e respeito por mim. E de ter aberto para mim horizontes grandes, quando já me resignava à mesquinhez. E lembro-me que era preciso alguém que fizesse o mesmo com outros jovens.
3. Cura-te das falsas motivações.
Das motivações débeis. Porque todos as temos. E a quaresma que aí está à porta é uma boa ocasião para nos purificarmos.
Não, não sou catequista para conseguir aplausos dos pais e convites para almoçar no dia da comunhão da filha.
Não sou catequista para "fazer qualquer coisa".
Não sou catequista por obrigação, para "pagar" o crisma.
Não sou catequista para me esquecer das complicações da vida familiar.
4. Renova-te
No corpo e na alma. Começa a dar catequese é... emocionante.
Ser catequista é desgastante. Tens de conseguir chegar à catequese com energia. Fresco como uma alface. Capaz de transmitir, também em termos físicos a qualidade de vida que o Evangelho nos oferece.
Precisas de tempo para ti.
Para a tua oração.
Para pensares o teu projecto de vida.
Para investires na tua formação.
Precisas de descansar um pouco e olhar o caminho que já fizeste. Senta-te na berma e olha para os quilómetros que já fizeste. E agradece-os a Deus. Olha a paisagem à tua frente. Pede-Lhe força para os vencer.
Escuta a voz que soa no mais fundo de ti: "Está na hora. Vamos anunciar o Meu evangelho? Eu sabia qie podia contar contigo!"
E responde-Lhe: "Vamos. Não será fácil. Mas conTigo é possível."
Editorial da revista de catequistas; Rui Alberto; Edições Salasianas
Enviado por: Susana Bilber
Sem comentários:
Enviar um comentário