terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Vim de lá para O continuar a adorar...

Há vários meses atrás decidi Seguir uma estrela. Poderia ser a Estrela do Oriente como há milhares de anos atrás Três Magos de lá o fizeram.
Tal como eu centenas e centenas de jovens de todo o mundo, atenderam ao chamamento Dele. E para aqueles que Nele não acreditam, julgo que lá foram para O encontrar, talvez para compreenderem o que é a Fé e a Esperança e para acolher um pouco dos ensinamentos de Amor que Ele nos revela nas coisas simples.
O tema de reflexão das Jornadas Mundiais da Juventude que ocorreram em Agosto, em Colónia (onde estão na catedral, num relicário, os restos mortais dos Magos), na Alemanha era: "Viemos para Adorá-Lo!". Tal como os Magos fizeram quando o encontraram em Belém.

A viagem foi fantástica, feita de autocarro, percorremos a Espanha, parámos em Paris para visitar os belos monumentos que a cidade oferece, para ver também o lado de degradação que possui. Com os mapas na mão, vestidos à turistas, a comer enlatados, porque lá é tudo caríssimo, e com a ajuda de imensos portugueses lá emigrados ou luso descendentes que fomos encontrando, conseguimos ver em 2 noites e um dia um pouco de tudo.

Seguimos pela Bélgica com as suas bonitas casinhas de tijolo e paramos já na Alemanha em Paderborn, e aí começou a caminhada visivelmente mais espiritual de preparação para O Adorar.
As famílias alemãs que nos acolheram bem no-lo ensinaram no caloroso abraço que nos foram dando nas conversas, nos presentes, na comida e no banho quentinhos, nos horários rigorosos, na seriedade das orações, mas na abertura de espírito e de coração.

Chegados a Colónia, o CAOS. Éramos na cidade perto de 4 milhões de peregrinos, diziam os jornais. E as cidades que auxiliavam Colónia, Bonn e Dusseldorf não foram suficientes no apoio logístico.
Faltou comida, os transportes estavam lotados e eram insuficientes, os túneis subterrâneos para o metro eram claustrofóbicos e em algumas situações a ajuda médica e a Organização tardavam em resolver as situações.
Mas tudo isto, só nos fez valorizar ainda mais o propósito para o qual lá tínhamos ido. Alem do encontro de culturas e nacionalidades, do colorido das t-shirts e das bandeiras, pudemos contactar com diferentes experiências de fé. Todos rezamos universalmente uma única oração e todos conhecíamos a linguagem musical de Taize. Esta que fez justiça ao trabalho de uma vida do Irmão Roger que foi naquele período assassinado.

Vi o Papa e conciliei-me com a Escolha deste vigário de Cristo agora como Chefe da Igreja de Roma. A sua presença sábia de quem é de poucos gestos mas de palavras sérias e "agitadoras de consciências", é muito forte. E à sua passagem sente-se Jesus.
Chamem-lhe sugestão psicológica, chamem-lhe fé, mas é o que se sente. Sinto-me abençoada e sei que o que o Benedictus pediu é muito exigente. Pediu-nos que a semelhança dos Magos, regressássemos a casa por Outro Caminho (o que fizemos). Caminho este que não é somente físico mas espiritual (este muito mais difícil, porque implica a mudança interior e exterior). A um milhão de jovens presentes em Marienfield, e a tantos outros que nos seguiam pelos meios de comunicação, apelou para vivermos no mundo como "verdadeiros adoradores de Deus". Muito foi dito acerca disto, e concluo que Ser Verdadeiro Adorador de Deus é deixar-me modificar para que o mundo em volta ganhe outra leveza e cor, algo mais positivo, mais de esperança, onde eu possa ser uma mais valia do Seu Amor. O adorar a Deus, nos seus diferentes rostos, vai muito além do momento e do lugar.

Não esqueçamos de O adorar por excelência na Eucaristia, pois aí Ele se nos doa gratuitamente. Entendo que não poderá haver uma vida inteiramente cristã se não se participar e comungar plenamente da Eucaristia. Mas a verdadeira adoração é aquela que nos leva a adorá-Lo cada vez mais, e pelo mundo. O "sítio" onde regressamos, nunca é o mesmo, como nunca são mesmas as pessoas.

E para finalizar a partilha desta experiência, como eu diria a um amigo, não deixemos agora que o "sítio" de regresso seja o mesmo, e ouse alterar aquilo que já se transformou em cada um de nós.

Valeu tanto a pena ir...

Sentimos que muitos rezavam connosco, não só as famílias que ficaram em casa preocupadas, mas também os amigos e outros conhecidos. Ao regressar notei que muito mais gente do que aquela a quem eu tinha falado desta minha viagem, sabia que eu lá tinha estado. E diziam-me que tinham estado atentas às notícias e às imagens televisivas para ver se me viam, ou viam portugueses, e acabaram por falar das palavras do Papa e do que sentiam ao ver aquele cenário de suas casas. "Quanto mais não fosse, pelo menos consegui inconscientemente que mais pessoas vissem e participassem da Eucaristia no Domingo. Já valeu a pena!" dizia eu um pouco na brincadeira.

Obrigada aos que se fizeram presentes de alguma forma e me fizeram sentir amada…

Um abraço na Paz e no Bem de Cristo Jesus

Susana Bilber

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