terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

A que tipo de liberdade Ele nos chama?

«Jesus Cristo liberta-nos do egoísmo para a liberdade no amor»
A raiz que nos leva a falsas liberdades é o egocentrismo, o culto do próprio ‘eu’, fazendo de si mesmo a medida de todas as coisas. Leva à recusa de qualquer intromissão exterior, à procura exclusiva das conveniências pessoais. São as tais ‘obras da carne’ de que nos falava S. Paulo.
O egocentrismo produz uma personalidade fechada em si mesma, na sua aparência, na sua sedução, no seu êxito, tornando o indivíduo prisioneiro das próprias preocupações. Tudo isto leva a própria pessoa a dar-se conta de um fardo para si e para os outros, em que tudo o que os outros dizem nada lhe é premeditado.

Jesus oferece-nos a liberdade profunda de nos amarmos uns aos outros n’Ele, com Ele e à maneira d’Ele: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”. É na medida que o ‘eu’ vai morrendo que vai gerar no outro fruto. “Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto. Quem se ama a si mesmo, perde-se; quem se despreza a si mesmo, neste mundo, assegura para si a vida eterna” (Jo 12, 24-25). Ao seguidor de Jesus Cristo não lhe resta outra alternativa.
É estando atentos aos dons do Espírito Santo, que se dá e revela a cada momento que o cristão interioriza no seu coração o amor de Deus. É esse amor Redentor que nos liberta do egoísmo radical. Torna-nos livres para aderir ao projecto amoroso de Deus: para amar Deus pela sua bondade e amar todas as coisas como dom de Deus (cf. Rom 8, 1-9).


«Jesus liberta-nos da morte para a Vida plena e definitiva»
Como é que isto acontece? Deus fez o que nos era impossível. Pela incarnação e morte do seu filho, Ele próprio se envolveu na realidade humana dominada pelo mal, destruindo-o pela raiz (Jo 1-14; Fl 2,7).
Ao morrer por nós, Cristo assumiu a morte a que a Lei nos condenava como pecadores, de tal modo que a lei deixou, assim, de ter poder sobre nós (2Cor 5, 18-21; Gl 3, 10-14; Heb 2, 14-18; Heb 4,15). E, assim, a lei já não nos condena, porque, finalmente, recebemos a capacidade de pôr em prática: pela força do mesmo Espírito com o qual Cristo morreu e ressuscitou, força que Ele infunde nos que nele acreditam desde o baptismo (Rom 8, 4; 6, 1-14; Act 1,5; 13, 38-39; 2cor 3, 17-18; Gl 5, 18).

Assim, Cristo traz:
— vida em plenitude
— revela a mete e o valor eterno do projecto de liberdade
— liberta-nos da morte como fatalidade
— dá a alegria de viver bem esta vida terrena
— coragem
— compromisso do nosso amor: fé
— compromisso pela vida de cada homem-irmão em vista da Vida que não terá fim.



Neste quase início de Quaresma, talvez "valha a pena pensar nisto" como nos apelam tantas vezes numa estação de rádio...

Enviado por: Susana Bilber

Sem comentários: